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← todos os artigosGente e eventos · 17 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Feira em Cuiabá: como transformar os contatos que você coletou em reunião marcada

A feira já pagou o ingresso; agora falta o mês seguinte: triagem em 24 h, cadência de 30 dias, as quatro taxas do funil e o limite da LGPD para usar a lista.

O dinheiro já foi gasto: o retorno depende do mês seguinte

Quem tem empresa em Mato Grosso conhece a conta. Inscrição, estande ou ingresso, diária da equipe, gasolina, e — a parte que ninguém soma — as horas dos três dias em que o dono e os dois melhores vendedores não atenderam ninguém na loja. Nada disso vira receita dentro do pavilhão. No evento a empresa paga; o retorno aparece nas semanas seguintes, quando a conversa de corredor vira reunião.

E o calendário de Cuiabá está cheio até dezembro: a Feira Arvend vai de 26 a 28/10 na ALMT, a Expo Auto Mecânica reúne o setor de reparação automotiva de 5 a 7/11 com 15 palestras, o XXX ENBRA discute gestão, agro e tecnologia de 11 a 13/11, e a 4ª Expominério ocupa o Centro de Eventos do Pantanal de 25 a 27/11. Só para dimensionar o que se movimenta em volta: na edição de 2025 da Expominério, a organização falou em cerca de R$ 200 milhões em negócios gerados e 10 mil visitantes. Negócio gerado em feira quase nunca é assinado na feira — é assinado no mês que vem.

O problema, então, não é captar contato. É que o contato volta para a empresa sem dono, sem data e sem próximo passo. Lista que vira planilha esquecida é despesa de relacionamento.

Dia 1: triagem em três grupos antes de mandar qualquer mensagem

A primeira coisa a fazer na volta não é mandar mensagem — é separar. Em até 24 horas, com os dois cadernos e o celular na mesa, divida tudo em três grupos:

O grupo A é onde entra a próxima etapa. Cada contato dele precisa de quatro campos no CRM (ou na ferramenta que você usa — o que importa é que todos da equipe enxerguem o mesmo):

  1. O problema descrito nas palavras da pessoa, não no seu jargão.
  2. Quem mais decide, e em que papel.
  3. O prazo que ela mencionou.
  4. O que ficou combinado no estande ("manda o material", "me liga depois do dia 10", "quero ver funcionando").

A diferença entre lista e contexto é essa. "João — oficina — cartão" não é lead. "João, dono de oficina em Várzea Grande, perde orçamento porque o atendente demora a responder no WhatsApp; o filho cuida do financeiro e decide junto; quer resolver antes da temporada de fim de ano; combinamos que eu mostraria um caso parecido" é.

A cadência do dia 1 ao dia 30

Sem cadência, mesmo o grupo A esfria. Um roteiro testado — método de follow-up pós-evento, não invenção nossa — funciona assim:

Quando O que vai na mensagem
Até 48 h Mensagem individual retomando o problema que a pessoa contou, no canal em que ela falou com você
Dia 5 Algo útil e específico: um exemplo parecido, uma conta, um caso
Dia 10 Proposta de reunião curta, com dois horários concretos
Dia 15–20 Retomada com fato novo — notícia, mudança de regra, resultado de um cliente
Dia 25–30 Encerramento sem cobrança, porta aberta

Duas regras seguram tudo isso. Primeira: cada mensagem traz algo novo. "Passando para saber se viu" é ruído; um dado, um exemplo ou um prazo é motivo de resposta. Segunda: o canal é o que a pessoa usou no evento. Se ela pediu WhatsApp, é WhatsApp; se foi e-mail no crachá, é e-mail.

Como pedir a reunião sem parecer vendedor insistente

"Quando fica bom para você?" costuma ficar sem resposta porque empurra para o outro a tarefa de decidir data, formato e assunto. Três frases resolvem:

  1. A referência: "Na feira você comentou que perde orçamento quando o cliente demora a ser atendido no WhatsApp."
  2. O que a conversa produz: "Em 30 minutos eu mostro como está esse fluxo hoje e o que dá para ajustar primeiro."
  3. Dois horários concretos: "Terça às 9h ou quinta às 16h?"

O pedido funciona melhor como diagnóstico do que como apresentação. Ninguém quer assistir a apresentação; quase todo mundo aceita contar como o processo funciona e ouvir onde estão os gargalos. É exatamente o que fazemos no diagnóstico de uma hora da Auralink: a gente ouve, mapeia o processo e devolve o que está travando — sem proposta empurrada.

As quatro taxas que mostram onde o funil vaza

Fim do mês, faça a conta em quatro passos:

Exemplo hipotético, com números redondos só para mostrar a mecânica: 120 cartões coletados, 25 classificados como A, 18 respostas, 9 reuniões, 5 propostas, 2 contratos. Se o custo total da feira (inscrição, estrutura, diárias, horas da equipe) foi de R$ 18 mil, o custo por reunião qualificada foi de R$ 2 mil. Esse é o número que permite comparar uma feira com outra e com outros canais — não o número de cartões.

LGPD no uso da lista: o que a conversa permite e o que exige consentimento

Contato de feira não é lista de e-mail. Uma mensagem individual retomando uma conversa que a pessoa teve com você cabe na expectativa dela: ela deu o contato para isso. Inscrever todo mundo em newsletter, jogar os 120 nomes numa campanha automática de disparo ou repassar a lista para um parceiro, não.

Os dois caminhos do texto legal:

Na prática: queria mandar mensagem para o João sobre o problema que ele contou? Vá em frente. Queria colocar o João na sua lista de marketing? Peça autorização, com finalidade clara, e guarde o registro de quando ele autorizou.

Checklist do mês seguinte ao evento

  1. Contatos exportados para um único lugar, com dono definido por contato.
  2. Triagem A/B/C feita em até 24 h após a feira.
  3. Quatro campos preenchidos para todo contato do grupo A.
  4. Primeira mensagem enviada em até 48 h, no canal usado no evento.
  5. Cadência com as cinco datas marcadas e alguém responsável por cada uma.
  6. Quatro taxas calculadas e custo por reunião qualificada comparado com o da feira anterior.
  7. Base de contatos revisada: quem entrou por conversa, quem autorizou marketing, e retenção definida.

A feira tem data para acabar; a lista, não. Se você voltou de uma feira com uma lista parada, a gente senta com você e monta a triagem, a cadência e as quatro taxas do seu próximo mês — uma hora, sem custo.